Menos dívidas, mais dinheiro

Casa própria. Por darem tanta importância a esse sonho, inúmeros brasileiros se precipitam e assinam um contrato de financiamento bem antes de conquistar reais condições de quitá-lo com tranquilidade. Pagam uma montanha de juros por isso. Assumem prestações que tornam a maior parte do orçamento inflexível. Falta dinheiro para o lazer e para os planos de curto e médio prazo. Não há verba para se educar e aumentar sua renda. Poupar? Nem pensar.

Com um orçamento apertado por uma pesada prestação, qualquer imprevisto leva esses brasileiros a contraírem pequenas dívidas. Férias? Carro? Só financiados. A casa está a caminho de se tornar própria, mas todo o consumo é dependente do dinheiro de bancos ou financeiras, deteriorado por juros que diminuem o poder de compra.

O que nos falta é a percepção de que a ingênua escolha de se endividar excessivamente para pagar a casa própria faz com que seu consumo cotidiano deixe de ser próprio. Uma vez dentro da ciranda das dívidas, esse brasileiro só consegue consumir se tiver um banco disposto a lhe alugar dinheiro a juros nada convenientes. Não é raro deparar com a absurda proposta de dividir compras de supermercado em doze prestações. Se desmembrarmos o orçamento da classe média entre consumo, impostos e custo financeiro, teremos aproximadamente um terço da renda para cada um desses itens. Em outras palavras, apenas um terço do suado dinheirinho do trabalho realmente se transforma em aquisição de bem estar. O restante é dividido entre um governo ganancioso e incompetente e bancos competentes em entender e explorar esse jogo.

Existe receita para tornar seu consumo mais eficiente. Prefira uma vida mais simples e barata, para que mais dinheiro sobre para suas escolhas de bem estar. Enquanto não tiver ao menos 40% do valor do imóvel que deseja comprar, trabalhe bastante, estude para aumentar sua renda e viva em um imóvel alugado, mais simples do que aquele que você compraria. Poupe um pouco e gaste seu dinheiro com prazer. A hora de comprar chegará quando, ao fazer as contas, você perceber que pode quitar seu imóvel em um prazo de até quinze anos. Depois disso, você terá que gastar com reformas. Até lá, discipline-se para acumular dinheiro antes de realizar seus sonhos cotidianos de consumo. Evitando dívidas e compras a prazo, você pagará menos juros e comprará mais bens e serviços, dando mais produtividade a seu dinheiro. É um ganho considerável.

GUSTAVO CERBASI Especialista em Inteligência Financeira www.gustavocerbasi.com.br

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3 Comentario(s)

Doroti Francisca Rocco disse:

Excelente texto.

Juliana Oliveira disse:

Ótimas dicas, por falar nisso deveria ter palestras para a população que muitas vezes acabam se endividando por falta de informação, infelizmente muitas pessoas caem em golpes de financiadoras e outros. 😘

Rafael Farias disse:

A ” receita ” seria acertar o alvoi, como mostra o desenho ?
Se for isso…………………… rsrsrss

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