Os encantos da Asia

Sempre tive um amor à distância por vários lugares da Asia, um deles é Myanmar ou Birmânia (Burma), ao sul da Asia, entre a China, o Laos e a Thailandia, um país na sua grande maioria budista.

Durante décadas foi palco de fortes conflitos políticos, golpes militares, guerrilhas e confrontos étnicos e religiosos.  E foi a voz de uma mulher que se destacou mundialmente na defesa da liberdade, a de Aung San Suu Kyi, que recebeu o premio Nobel da Paz.

Yangon, antiga Rangoon, maior cidade de Myanmar, é repleta de pagodas, muitas delas bem no meio do centro urbano, no caos e trânsito de toda cidade grande. A mais famosa é Shwedagon Zedi Dawn, conhecida como a Grande Dagon Pagoda ou a Pagoda de Ouro, é na verdade um grande complexo de muitos templos que brilham com seu ouro refletindo o sol.

É considerada a mais sagrada de Mianmar pois contém relíquias de vários Buddhas. De acordo com a lenda, parte dela foi construída há mais de 2600 anos atrás, seria portanto a mais antiga estupa budista do mundo.

 

Você pode caminhar alguns dias dentro de toda Swedagon e ainda não conseguir ver com calma todos os templos e seus detalhes.

Em cada templo você encontra grandes gongos e sinos imensos, cada um com sua história.  Os lugares são repletos de oferendas, flores, incensos, bandeiras coloridas e velas e tem um clima de permanente festa, especialmente à noite, depois de se festejar o pôr do sol, o lugar ganha nova magia nas luzes.

Vale também visitar a pagoda Kyaukhtatgyi, com o Buda deitado de 65m e ao lado uma a sequência de Budas menores,

Fui numa casa de massagens feitas por surdo mudos, que foi uma das melhores dicas locais.  Na cidade à noite lindos restaurantes, como o House of Memories, e muita comida na rua e nos mercados como o Scott Market, Bogyoke Aung San Market, com suas cores, aromas e compras divertidas.

De Yangon tomamos um avião que desce na aldeia de Heho, primeira visita à Phaung Daw Oo Pagoda, a mais antiga e deslumbrante pela sua simplicidade e contenção, com cinco imagens do Buda em ouro do sec 12. E ao monastério Shwe Yan Pyay.

De lá se segue de carro para Inle Lake, o segundo maior lago do país, com mais de 100 km2 de superfície e com algumas espécies de peixes exclusivas de seu bioma.  A calma e o silêncio do lugar já são uma viagem espiritual.

Esse cenário rural maravilhoso entre montanhas, ainda tem pouco turismo e por isso é um dos lugares mais autênticos de toda região.

No meio de muita água, muitas casas, oficinas e restaurantes são palafitas de bambu.  As embarcações típicas e construídas na região são de madeira e baixas, quase beirando a agua. E os pescadores têm um jeito curioso e único de remar, só com uma das pernas, enquanto pescam e são uma atração por isso.

Viajamos o dia inteiro nesses deliciosos barcos típicos e visitamos aldeias, fazendas com plantações flutuantes e muitas oficinas de artesões. Como a vila de Inn Paw Khan, onde as mulheres trabalham na tecelagem produzindo a seda Ikat.  O artesanato local é incrível, tem lindos padrões na tecelagem, tem sedas feitas com o fio da flor de lótus, bordados, prata, jóias, cerâmica, esculturas, umbrelas, cestas, metais, ferro feito na bigorna, e a oficina local, construtora dos barcos da região, em Nampan Village.

Tudo feito à mão. Toda a população usa as roupas coloridas da região, com os homens vestindo as saias e todos tem uma harmonia e elegância natural.

Existem vários mercados flutuantes que se espalham pelo lago, o mais famoso é o de Ywama.

Fomos para muitos desses mercados que vendem comida, frutas e verduras exóticas e muito artesanato.

Adorei de comidas típicas, como o peixe com molho de tamarindo e pimenta, o curry com coconut milk, a banana flower salad e tealeaves salad… e os restaurantes são uma delícia, todos com vista pro lago.

De barco fomos visitar o templo Phaung Daw Oo Pagoda e o monastério Ngaphechaung, na vila de Inn Paw Khon.

Em todos os templos de Myanmar existem belíssimas esculturas e muitas lendas para ouvir e compreender melhor a glória do Budismo. E inúmeros templos antigos espalhados por todo o país, com uma riqueza inacreditável de desenhos e detalhes, mesmo entre as ruínas.

Já tinha excluido visitar a aldeia das mulheres girafa, tanto em Mianmar como na Thailândia. Essas mulheres da etnia karen, à qual os padaungs pertencem, Tem essa tradição cultural muito remota e antiga, de colocar anéis de metal dourado, muito pesados, no pescoço, braços e dos tornozelos até os joelhos das mulheres.  É um fardo pesado e essa idéia de manter as mulheres girafa, ou long neck, com esse costume bizarro nos tempos contemporâneos, soa como uma exploração, uma pressão abusiva para atrair turistas, pois esses anéis começam a ser colocados em crianças de cinco anos, quando ela ainda não tem escolha.

Mesmo não contribuindo e me recusando a fazer essa visita, encontrei muitas mulheres girafa no caminho, fiz amizade com elas e as ajudei. Elas são genuinamente amorosas e de muita doçura. Tentamos nos comunicar naquela linguagem universal do abraço e sorriso, com pequenos gestos que ajudaram o entendimento.

Em Bagan, a cidade mágica de Mianmar, a vista é um permanente deslumbramento.  Tudo fica parado no tempo nesse lugar que parece fora do mundo, existem tantos templos que é impossível ver todos. Mas muitos valem a pena o passeio, como Shwezigon Pagoda, Kubyaukgyi Temple, Htilominlo Temple, templo Ananda, templo Thatbyinnyu, templo Dhammayangyi, templo Sulamani.

São inúmeros templos que parecem perdidos no meio da selva. E se avistam por todo o horizonte.

O mercado local Nyaung Oo é um passeio pela maneira como se vive e é cheio de curiosidades. Uma dica especial é também visitar uma oficina de laca, um trabalho maravilhoso e típico da região, com uma escolha enorme de objetos. Comprei umas taças douradas e outras verdes com desenhos tribais. Tudo é lindo.

Mas em Bagan a melhor experiência é o passeio de balão. Inesquecível.

Você flutua no encantamento daquela paisagem na altura.  Com essa magnífica visão, você fica viajando pelo céu assim que sol nasce e começa a dourar todos os monumentos.

E no fim da tarde é imperdível buscar o ponto mais alto e esperar o pôr do sol naquela paisagem que é um espetáculo único.

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7 Comentario(s)

María de Lurdes Duarte disse:

Muito lindo mesmo !! Amei ver estas fotos, que maravilha,e um sonho pra qualquer um.. conhece um lugar tão lindo assim..

César Félix disse:

Parabéns pela viagem e obrigado por socializar. Lugar mágico.

César Félix/Rio Branco- Acre.

Hilda Vieira disse:

Relato tão minuciosamente detalhado que eu me senti lá, em meio às cores e pessoas incríveis!
Gratidão por dividir conosco essa experiência!!! Amo você, Bruna!

Margareth disse:

Perfeito relato . Viagei com você!

Francisca Assis Oliveira Pinheiro disse:

Bruna fantástico essas viajem na Ásia.tudo lindo as roupas.esse balão deve ser delicioso .a cultura diferentes da nossa.esses templos no meio da mata.essas mulheres girafas com essas argolas no pescoço.só vc com sua beleza,nos mostrando a beleza do mundo

Ady Marques disse:

Achei super diferente as roupas masculinas rsrsrsr

Christina disse:

belíssima experiência! O bom é que você compartilha conosco. Abraços.

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