Relação sem futuro

Vale insistir em uma relação que não tem futuro?

Faz algum tempo, um amigo me contou sobre uma viagem que fez com uma pessoa com quem estava saindo. Era uma relação que vinha acontecendo há alguns meses. Sem grandes compromissos assumidos, a relação se mantinha em grande parte devido à utilidade que tinha para meu amigo. Morando fora de São Paulo e indo para a cidade semanalmente, a relação tornava a sua estadia menos solitária. Especialmente nas noites que não arranjava companhia melhor.

Para ele era bom estar com essa pessoa. Adorava a companhia da mesma forma que adorava se despedir. Ia embora com a sensação de que o tempo vivido juntos tinha sido mais do que suficiente. Não era desagradável ao ponto de não querer ver mais a pessoa, nem agradável o suficiente para querer aprofundá-la.

Um belo dia surgiu o convite para viajarem juntos. Ele aceitou. E é claro que foi uma viagem horrorosa para ambos.

Quando conversamos sobre a viagem, não pude deixar de perguntar por quê tinha aceitado. A viagem era de uma semana e a rotina de ambos costumava se resumir a dois dias no máximo. Tempo máximo que ele notava para começar a se sentir com vontade de ir embora. A conclusão que chegamos foi, simplesmente, interesse e uma certa preguiça em resistir.

Logo no início da viagem, começou a ficar sem paciência. Foi inevitável começar uma série de atitudes e comportamentos que beiraram o desrespeito. A irritação com ele próprio de estar preso nessa situação era tamanha que não conseguia evitar jogar esse sentimento contra a pessoa. Mesmo sabendo que estava sendo injusto.

Conversamos sobre o porquê nos colocamos numa situação dessas. Por que aceitamos uma “vantagem” cujo preço será alto demais para pagá-lo de forma correta? Esses questionamentos se aplicam aos dois personagens desta história. A pessoa que fez o convite sabia que meu amigo não estava envolvido o suficiente. Já tinha notado a sua mudança de humor quando ficavam mais de dois dias juntos. Então, por que convidá-lo para uma semana juntos? Será que pensava que isso iria mudar só por ser um lugar diferente?

O lugar era lindo e foi usado como arma para convencer meu amigo. Tem como dar certo? Difícil. Insistir numa relação fria e distante, mesmo no lugar mais bonito do mundo, costuma ser perda de tempo, de dinheiro e, infelizmente neste caso, um pouquinho de dignidade. Querer ser amado por quem não nos quer, é sempre o pior investimento.

NANY BILATE Pensadora intuitiva, estuda e escreve sobre os valores e crenças sociais da contemporaneidade; fundadora da #behavior, uma Think Tank http://www.behavior.com.br/blog

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5 Comentario(s)

Sula Carvalho disse:

Parabéns amei

Luzia Mathias dos Reis. disse:

Quando as pessoas estão juntas por amor as vezes não é fácil, imagina esse ficar por ficar, não vale a pena!!!!

Joana disse:

Verdade, Luzia. Se quando há amor a convivência nem sempre é fácil, imagina nessa situação!

Maria Cláudia dos Santos disse:

A mais pura verdade 🧡

WILLIAN VARELLA FIGUEIREDO disse:

Bárbaro. Nú e crú como a vida.

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