Um remédio para todos

Sabemos que os animais contribuem com a sociedade de incríveis maneiras. E, talvez não haja exemplo melhor dessa colaboração do que a parceria dos nossos leais e prestativos cachorros. Muito além de cães de guarda e vigias, auxiliam na agricultura, no resgate de pessoas feridas e em muitas outras funções. Além de serem grandes companheiros, utilizam toda sua inteligência e afetividade para  nos fazer sentirmos bem. No cinema e na literatura são inúmeros os exemplos que emocionaram gerações. Já na poesia do século XIX é famosa a citação de um cachorro ajudando um homem cego a se locomover, na novela épica Aurora Leigh.

Poderíamos destacar na área de saúde o trabalho com cães treinados que mudam a vida de pessoas com deficiência auditiva, indivíduos com problemas de locomoção e até mesmo com a participação direta em tratamentos médicos especializados. Existem possibilidades fascinantes, como cachorros que, com treinamento específico, são até mesmo capazes de sentir por meio do olfato quando o nível de  açúcar no sangue dos donos está elevado, latindo imediatamente para que tratem a hiperglicemia da Diabetes.

O fato é que tais situações estão muito mais próximas de nós do que imaginávamos. Por todo o planeta estão sendo comprovados os benefícios que estas criaturas fascinantes são capazes de trazer somente por sua presença de espírito.

Diversos estudos vem demonstrando que ter um cachorrinho  em casa pode reduzir muito a pressão arterial e até mesmo minimizar a chance de infarto do coração. Uma pesquisa feita na Austrália revelou que os donos destes bichos ainda tinham melhores níveis de colesterol e triglicérides. Em parte isso ocorre porque eles acreditam ser nosso personal trainer,  nos motivando e nos lembrando da hora de caminhar, criando aquele compromisso diário que não temos coragem de recusar ao vermos aqueles olhos.

Abrir as portas para estes amigos arteiros pode ainda nos ajudar a fazer novas amizades com uma espécie muito mais reservada: a dos seres humanos. Nada como a presença de um bicho para quebrar o gelo da interação com novas pessoas, reduzindo a timidez e tornando frequentes as oportunidades para conhecer gente nova em parques, locais de adestramento ou mesmo sentado do lado de fora de um café.

E se nos dias ensolarados são uma ótima companhia, nos dias cinzas são um ótimo remédio para elevar o humor, espantar a preguiça e afastar a depressão, trazendo um senso de companheirismo e uma percepção  de maior propósito na vida. Na Inglaterra é frequente o uso de psicoterapia em grupo com a presença de animais, o que surpreendentemente faz com que as pessoas conversem por mais tempo, com mais ânimo e com maior interesse, apenas pela alegria e astral que o animal trás ao ambiente.

Para os que praticam meditação e mindfulness, também existem exercícios para serem feitos na companhia de seu pet. Nos Estados Unidos tem ganhado popularidade o “Doga” (junção das palavras “Dog” e “Yoga”), uma técnica de Yoga  para ser feita em conjunto com cachorros. Estas atividades são ótimas maneiras de reduzir a ansiedade e a depressão, melhorando a empatia entre as pessoas e fazendo com que a angústia e as preocupações se dissolvam.

Benefícios para as crianças também foram comprovados, com um estudo da Universidade de Wisconsin-Madison demonstrando que conviver com um animal desde cedo diminui 33% as chances das crianças terem alergia quando maiores – fortalecendo ainda  o sistema imunológico. Relatos de enfermeiras pediátricas que por anos observam nos Hospital das Clínicas as crianças internadas, revelam que quando os pequenos recebem visitas de cachorrinhos ficam mais motivados e tendem a ter alta mais rapidamente.

A psiquiatria geriátrica demonstra ainda grandes ganhos no bem estar e saúde mental dos idosos em contato com animais.  Pelo simples fato de brincar com um cachorro, pacientes com sintomas de Demência, entre elas o Alzheimer, passam a sorrir e se comunicar mais. Isso sem mencionar que ficou comprovado que os portadores de demência têm melhora de 25% numa escala que avalia alterações de comportamento. Além disto tendem a referir menos solidão, tédio e apresentam redução do comportamento explosivo. Uma ressalva: pelo risco de quedas devem redobrar os cuidados, escolhendo calçados apropriados, iluminação correta e adequando piso e tapetes onde pisam.

Sempre ouvimos falar que um pouco de vinho ao dia faz bem para o coração, mas que tal uma dose de seu amigo peludo ao dia? Já pensou em colocar dentro de casa um pet bagunceiro, para alegrar e reforçar a saúde de sua família?

BRUNO MACHADO Médico especialista em psiquiatria brunohmachado@gmail.com
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