Zero Hora

Gosto do nome deste jornal para o qual escrevo: Zero Hora.  Gosto por uma memória emocional, era o lugar onde o meu querido Mario Quintana trabalhava.  Gosto também pela lembrança de muitos amigos gaúchos que tenho e por causa desse nome simbólico: zero hora.

Zero hora pode sempre significar um recomeço.

Sabemos que de certa maneira estamos sempre recomeçando. Muitas vezes essa idéia pode ser assustadora, mas quanto mais consciência a gente tiver desse processo, mais simples será a travessia e tudo aquilo que vamos nos tornamos através dessa passagem.

Existem pequenos recomeços cotidianos a cada nascer de um novo dia. E existem outros recomeços marcantes, pontuais, resultados de específicos acontecimentos. Conforme a grandeza de um desses eventos na nossa vida, mesmo todo o nosso treino diário não será suficiente. Na hora, não estamos preparados.

Mudanças, perdas, separações, a vida sempre nos surpreende e nos pede adaptabilidade. A cada fase a gente vai se desconstruindo e reconstruindo e a nossa capacidade de adaptação é inacreditável.  Cabe a nós encontrar uma nova trilha, um novo caminho, mesmo quando parece não existir mais nenhum.  Porque estar perdido é parte do nosso movimento e a gente não para. A vida não para. A gente se perde para se reencontrar e a cada encontro, cada recomeço a gente se conhece mais.

A nossa zero hora seria poder dar pra nós mesmos uma nova chance. Marcar esse novo rito de passagem e zerar o passado. Decidir deletar coisas inúteis, limpar gavetas cheias e ter coragem de se livrar de todo aquele acúmulo dentro do sótão escuro da nossa alma.

Escolha fazer um detox digital, mesmo que por uns dias, sem redes, sem notícias, sem TV.  Sem o assunto do momento, sem se envolver com o escândalo da vez.

Fazer caminhadas ao ar livre, desfrutando cada beleza com o olhar e não com o celular.  E ao invés de olhar a vida dos outros, olhar pra sua vida e olhar amorosamente.  Buscar o belo dentro de você, sua voz interior, o pulsar do seu coração.  Respirar, meditar, olhar o céu e agradecer, dar likes de gratidão para a natureza em volta.

Curtir a nova página da sua vida, com seu verdadeiro perfil e a legenda que você começa a escrever agora.

Mudar a rotina ou pelo menos a maneira de ver a rotina. Você não precisa sair da sua cidade para renovar o seu olhar.  Você não precisa sequer sair do seu bairro. Você pode simplesmente olhar as coisas que antes passavam batidas, despercebidas e dar um valor imenso a cada uma delas.

Quanto vale a brisa no rosto num dia de calor abafado? E como descrever a beleza daquilo que a gente não vê?  Talvez a brisa não seja instagramável, mas ela nos traz um prazer imenso.

Comece a fazer uma lista de coisas assim, singelas, insignificantes, as que tornam o seu dia mais feliz.

E o resto vai deixando pra trás, rasgando, jogando fora todas essas coisas que estavam te pesando faz tanto tempo e você nem percebia mais.

E descubra novas perspectivas, novos hábitos. Principalmente novos hábitos.

E agora siga na direção daquilo que você quer ser, basta dizer: zero hora: minha vida começa agora.

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