Torre de Babel

O mito bíblico da Torre de Babel, o portão de Deus, representa a extrema ganância dos homens que, num excesso de soberba, no orgulho de sua potência, queriam construir uma torre tão alta que alcançasse o céu. As lideranças, tomadas pelo desejo absoluto de poder, pela megalomania, querem alcançar o domínio de chegar ao topo do mundo, o desafio desmedido de se tornarem deuses.
E Deus para castigar essa ambição desregrada criou diferentes visões e linguagens e as espalhou entre todos.
E assim começa o total desentendimento, a confusão. É o início da desordem, da desunião que vai gerar a divisão entre as tribos. O resultado é a fragmentação de tudo o que se queria construir. A Torre de Babel instaura o tumulto, o caos e a discórdia entre os homens.

Babilônia, capital de um império, um poderoso centro comercial e cultural, com enorme influência e prestígio foi destruída.
Sua destruição resulta, além da péssima administração política, de todas as terríveis consequências dos acontecimentos.
As lendas falam de ódio, crueldade, degradação, brutalidade e corrupção por exacerbado materialismo.
A natureza sofre impactos ambientais, mudanças climáticas extremas e desastres assustadores.
Um dos maiores impérios do mundo antigo transforma seu território num deserto abandonado.

O que aprendemos com esses mitos e histórias? Para que servem essas parábolas que interpretam um moto perpétuo que repete o mesmo comportamento humano. E novamente caminha para uma destruição gradativa, sem que o homem aprenda.
É mais fácil destruir do que construir.
Tenho pensado muito no Bem e no Mal. Meu questionamento não tem respostas prontas e dói demais acompanhar as notícias. Ver os crimes que são cometidos e continuarão impunes.
É terrível ver a divisão entre pessoas, o confronto, a polarização. Ver o fosso, o abismo que aumenta a cada dia entre gente que poderia se entender.
Ver a distorção de valores ser tão brutal e chegar ao ponto de usar Jesus defendendo o contrário do que ele pregou: a compaixão, o amor ao próximo, o dar a outra face.
Ver a luta entre o conhecimento e a barbárie, entre a humanidade e a desumanização, entre a beleza e a monstruosidade se tornar tão cruel.
Existem os assassinos, os que cultuam a morte e a destruição. O culto de destruir e de matar pessoas, povos, contaminar, torturar, escravizar, trazer à tona o pior em tudo.
Eles nos levam para além da guerra e da paz. Com eles caminharemos inevitavelmente para uma explosão final.

Mesmo estarrecida diante do terror, sou uma eterna otimista. Acredito no despertar de uma consciência individual que começa dentro de nós e se espalha. Aos poucos transforma tudo ao redor. Vejo isso acontecer muitos lugares ao mesmo tempo. Vejo em muita gente a mesma esperança.
Sei que existem tantos heróis anônimos que não são notícia, voluntários que arriscam a vida pelo bem do coletivo, para salvar um grupo, uma pessoa, um bicho. Fazem meu coração bater feliz e comovido.
São esses os que admiro e que me dão a certeza que a grande maioria da humanidade, mesmo silenciosa, é do bem.

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