Uma breve história do tarô (do século XIX ao século XX)

Na primeira parte deste artigo sobre a história do tarô, vimos a origem do tarô até sua descoberta pelos ocultistas, no fim do século XVIII, quando Antoine Court de Gébelin expôs sua teoria de que o tarô conteria a chave da sabedoria do Egito Antigo. Essa teoria foi abraçada por ocultistas do século seguinte.

Em meados do século XIX, o francês Alphonse-Louis Constant (conhecido como Éliphas Lévi), considerado o mais influente ocultista do século 19, expandiu a teoria de Gébelin de que os 22 Arcanos Maiores estavam associados às 22 letras do alfabeto hebraico e colocou as 78 cartas do tarô na Árvore do Vida, associando as cartas à Cabala e atribuindo ao tarô o status de uma “Bíblia primitiva”, de um livro dos “magos antigos”. Em 1856, publicou o livro “Dogma e Ritual de Alta Magia”, uma síntese do conhecimento místico ocidental, que atribuía ao tarô poderes mágicos que levariam à iluminação.

O encontro de Éliphas Lévi com o ocultista inglês Kenneth Mackenzie, em 1861, foi o embrião do que viria a ser a criação, em 1888, da Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (OHAD), cujos membros influenciaram profundamente o tarô. Neste mesmo ano, o co-fundador da Ordem, Samuel Liddell MacGregor publicou “O Tarô: seus significados ocultos, uso em adivinhação e método de jogar”. No ano seguinte, Oswald Wirth publicou seu famoso baralho com os 22 Arcanos Maiores, e Gérard Encousse, conhecido como Papus, publicou o livro “O tarô dos boêmios”, codificando o ensinamento de Éliphas Levi sobre o tarô.

No século XX, o tarô se popularizou de vez: logo no início do século, mais precisamente em 1909, o místico Arthur Edward Waite e a ilustradora Pamela Colman Smith, ambos membros da Ordem Hemética do Amanhecer Dourado, criaram o icônico baralho publicado pela editora Rider em 1910, hoje conhecido como o tarô Rider-Waite-Smith (RWS). Neste tarô, Smith ilustrou todas as 78 cartas do baralho com ricas imagens, e não somente as 22 cartas dos Arcanos Maiores, como era comum até então. Esse baralho teve o mérito de tornar o tarô uma ferramenta mais acessível para o grande público, uma vez que cada carta continha uma ilustração que remetia ao significado da carta, facilitando, assim, a sua leitura por um público não especializado. É interessante registrar que, na época, foram muito criticados por sua tentativa de popularização do tarô.

Outro baralho famoso foi criado também por membros da Ordem: o Tarô de Thoth, de Aleister Crowley e Lady Frieda Harris. As ilustrações foram pintadas a óleo por Harris entre 1938-1942, e o baralho só viria a ser publicado em 1969. Esse baralho possui simbolismo complexo e alterou nomes de várias cartas. O artista surrealista Salvador Dalí também fez seu baralho, lançado inicialmente em 1984. Outra artista surrealista que também fez sua interpretação artística das cartas foi Leonora Carrington, que pintou os 22 Arcanos Maiores do tarô, uma descoberta que surpreendeu estudiosos e admiradores de sua obra.

Ao longo do século 20, os estudos sobre a psicanálise e o inconsciente, realizados por Sigmund Freud e Carl Jung, se popularizaram e mostraram a importância de uma busca mais profunda de nosso interior. Não por coincidência, nesse período o uso do tarô também como ferramenta de auto-conhecimento e mergulho na profundeza da alma se desenvolveu.

No século 21, o tarô tem se reinventado e se tornado uma ferramenta cada vez mais popular. No próximo artigo, falarei sobre o tarô neste século e as perspectivas para o futuro deste oráculo.

Gostaria de terminar este artigo com uma paráfrase sobre o peso da história. Conta-se que, quando Napoleão chegou às pirâmides do Egito, ele falou aos seus soldados: “Do alto destas pirâmides, 40 séculos vos contemplam”. Eu digo algo parecido em relação ao tarô: do fundo dessas cartas, 600 anos te contemplam – e te convidam. Permita-se mergulhar em si mesmo por meio das cartas e encontrar as respostas que já estão dentro de você!

(Bibliografia utilizada: “Tarot de Marselha”, de Mary Packard e “Tarot”, de Jessica Hundley)

 

Talita Cardoso Lima Diplomata e taróloga. Usa o tarô para autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. www.tarotdiario.com.br / @tarotdiarioblog
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4 Comentario(s)

Vania Cury disse:

Esse mergulho no mundo do tarô está cada vez mais interessante! Estou curiosa pelos próximos passos!

Elaine disse:

Sensacional! Cada vez mais nos enriquecendo com os conhecimentos e mistérios do tarot

Katia disse:

Muito massa!É muito importante conhecer com profundidade os assuntos que nos interessa.

Karina Rezende disse:

Obrigada por mais uma vez compartilhar seus conhecimentos.

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