Isolamento Social

Entre a Separatividade e a Reunificação do Eu – Parte 1

Desde os Tempos de René Descartes (Pai da Filosofia e da Matemática Moderna, iniciador do Racionalismo – 1596 a 1650), a humanidade passou a valorizar e a enaltecer a parte em detrimento do Todo. O desenvolvimento da ciência e da tecnologia exigiu uma compreensão muito minuciosa do funcionamento dos fenômenos da natureza, das partes que integram a biologia e o próprio corpo humano, os fenômenos astronômicos e outros. Mas mesmo diante da compreensão parcelada e fragmentada (Cartesisanismo), a vida nunca deixou e jamais deixará de ser um Todo.

Quando uma criança ou mesmo um adulto representam a Lua num desenho em que ela aparece como “meia-lua”, não deixa de ser correta a sua representação, mas bem sabemos que a Lua é e sempre será uma esfera. Esta metáfora se aplica a quaisquer outras limitadas percepções dos cinco sentidos. Temos a sensação nítida de estarmos parados mas sabemos que pelo movimento de rotação do globo terrestre estamos em pleno movimento. Se reduzirmos quaisquer objetos ou existências materiais observaremos uma dinâmica incrível no movimento dos átomos, especialmente na partícula chamada elétron, mas temos a impressão de um Estado Inerte e Passivo. Nossa visão parcial vinculada ao mundo da forma percebida é uma grande Ilusão! O mundo tridimensional (largura, profundidade e altura), são projeções do conjunto de nossas percepções! Sim, a existência tangível é reflexo do intangível! Nosso conjunto de crenças ampliadas ou limitadas, nossos valores, conceitos arraigados, medos, expectativas, paradigmas e desejos, contribuem para a manifestação da “Grande Teia da Vida”, como prefere definir o Físico Fritjof Capra. A questão é o nível de compreensão que temos sobre a Vida. Até poucas décadas atrás, acreditem, não havia uma definição aceita em sua ampla rede de significados por parte da própria Ciência. Certamente isto se dava por conta do “olhar restrito e fragmentado” dos próprios biólogos influenciados pelo modelo mental que perpetuou o olhar parcial e não integrado do conjunto da obra de nosso existir. Foi Humberto Maturana, um Biólogo Chileno, considerado por Dalai Lama, como um Cientista Sagrado, quem alcançou a definição aceita pelos métodos experimentais da academia em suas diversas segmentações (desde a neurociência, a sociologia, a informática até a filosofia). Sua Tese e do biólogo Francisco Varela, ex aluno e também chileno, chama-se “Autopoiesis” – a palavra de origem grega, (auto – para si mesmo) e (poiesis – criação). Definição: “ Os seres vivos são sistemas autopoiéticos moleculares, ou seja, sistemas moleculares que se autoproduzem, e a realização desta produção de si mesmo como sistemas moleculares constitui a Vida”.

Esta autogovernação dos sistemas moleculares é tudo menos linear, é por natureza complexa. Quando fazemos paralelos com a Tese da Autopoiesis no campo da Sociologia e abstraímos um pouco, podemos observar a forma como as relações sociais são estabelecidas no âmago dos grupos de convívio, quer sejam presenciais ou virtuais. Observando-se as funções intracelulares (há toda uma organização e distribuição de funções), na relação com outras células (indivíduos), pode-se identificar a capacidade que possuem de gerarem, manterem ou dissolverem um “Sistema Maior” (coletivo), que passam a criar, manter ou excluir (morte).

Somos por natureza interativos e interdependentes. Nossa sobrevivência sempre dependeu desta realidade intrínseca. Nossa capacidade de interagir e relacionar com as demais espécies é que nos permitiu alcançar a condição de “Homo Sapiens”. Nossa adaptação sistêmica desde os primórdios até certo ponto nos trouxe a condição evolutiva atual. Contudo, tal qual outras espécies extintas pela incapacidade de colaboração com o ciclo evolutivo, corremos o risco de não estarmos mais dando conta de contribuir mais do que desequilibrar o Sistema da Vida como um Todo. Não há como justificar a incapacidade de chegarmos a um Acordo Global para a efetiva redução nos bilhões de toneladas de CO2 emitidos diariamente na atmosfera ou os bilhões de toneladas de lixo nos oceanos, na redução urgente do consumo desenfreado dos recursos naturais, descartes químicos nos lençóis freáticos, milhões de hectares de florestas devastadas interferindo brutalmente nestes ecossistemas etc etc etc.

Nossa arrogância de supremacia é tão ilusória que está de joelhos diante de um ser invisível com capacidade epidêmica simples. Como estamos interpretando esta oportunidade, chamada “corona vírus”? Podemos e ao meu ver devemos perceber que a ameaça por ele constituída resulta na capacidade de nos enxergamos como Um Todo que sempre fomos e sempre seremos. O individualismo que gerou a noção de separatividade nos colocou em um automatismo de luta pela sobrevivência e no paradigma de que no mundo da selva, forte é que vence fraco. Violentou e violenta todos os dias nossa noção de integração com a natureza, o poder auto regenerativo de nossos sistemas vitais e imunológicos. Intoxicou nossas mentes com a ideia de que é impossível haver Vida ou alimentos saudáveis sem as drogas químicas produzidas por eles na forma de remédios, a noção de que é impossível haver alimentos saudáveis sem as drogas que eles pulverizam nos alimentos que consumimos, matando literalmente a terra. Impregnaram nossas mentes com a insensibilidade na relação com os animais, ao ponto de bilhões deles sofrerem intervenções químicas e hormonais de todas as ordens para aumentar desenfreadamente a capacidade de produção tanto na indústria avícola, quanto na pecuária e até mesmo na produção do mel (apiários). Dois grandes humanistas que admiro, um deles Francês de origem, mas brasileiríssimo de coração, o Professor Pierre Weil, fundador e reitor da Universidade da Paz e o grande mestre da Meditação Yoga no Brasil, Professor Hermógenes, chamavam esta patologia que nos cega e nos torna insensíveis de “Normose”. Perdemos a capacidade de associar o torresmo da carcaça de um suíno, um hambúrguer ou uma linguiça das muitas partes incluindo tripas de um boi, a caixa de leite e a indústria de laticínio de maneira geral não nos sugestiona a agressividade impostas às vacas para que produzam mais e mais, sendo permitido inclusive certa dose de pus oriundo da “mastite”, uma das doenças que esta extração insana produz, causando-lhes febre, perda de apetite etc. Esta mesma “Normose” de aceitar a separatividade e a competitividade selvagem como natural,  reflete-se no comportamento social, até mesmo na escolha da escola dos filhos. O “Sistema Educacional”, reproduz este conceito e grande parte dos estabelecimentos são focados unicamente na capacidade de garantir um lugar para os alunos no jogo da cadeia alimentar, posicionando-os para dentro da seleta casta dos aprovados nos vestibulares ou nos concursos públicos. Quantos pais de fato buscam uma escola que auxilie seus amados na formação integral de suas personalidades e valores?

CONTINUA…

Gilberto Lima Jr Internacionalista, meditador, empreendedor dos segmentos de Inteligência Artificial, Automação, Blockchain e Biotecnologia glima06@gmail.com / @gilbertonamastech
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6 Comentario(s)

Gilberto Lima Junior disse:

Gratidaoo !
#gilbertonamastech

Gilberto Lima Junior disse:

Feliz que tenham gostado, auardem a Parte 2 que jáserá publicada. Acompanhem-me nas Redes Sociais e Ouçam(Podcasts) este e outros Temas:#gilbertonamastech

Lessandra disse:

Perfeito 👏👏👏👏

Sueli Amaral disse:

Muito legal. Perfeito. Mente sadia, corpo são. Que Deus tenha piedade.

Sonia R Silvera disse:

Isolamento,é ficares num leito de
hospital,lutando p/vida!

Rafael Farias disse:

Isolamento social é crime, crime de assédio público.
Policias militar e civil, prefeitos e governadores e SUS deveriam ser presos imediatamente !!
O presidente do Brasil, Bolsonaro está lutando contra esses criminosos, e eu acredito que todos serão presos, pelo nosso presidente do Brasil, Bolsonaro.

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