Será que falta dinheiro?

Após anos orientando centenas de famílias sobre o bom uso do dinheiro, cheguei a uma conclusão curiosa: na maioria dos casos em que as pessoas entram no vermelho, elas não ganham menos do que gastam. Em outras palavras, a renda que a maioria dos brasileiros ganha no mês é suficiente para manter sua vida. Mesmo assim, a maioria das pessoas das classes B, C e D está endividada.

Curiosamente, o dinheiro que falta na conta normalmente não foi verdadeiramente consumido. Via de regra, costuma estar parado em algum tipo de estoque do endividado. Se você estiver entre os que entram de vez em quando no vermelho, faça uma experiência: estime quantos reais existem parados em produtos na dispensa de sua cozinha. Some este valor aos reais que estão parados no tanque de combustível de seu carro. Vá até seu guarda-roupa: quantas peças de roupas você nunca usou? Quanto elas custam? E o que dizer de livros não lidos, DVDs não assistidos, eletrodomésticos nunca utilizados?

Infelizmente, temos no Brasil o hábito de comprar para ter, e não para usar. Aprendemos a estocar nos tempos de inflação – mas a atual inflação não justifica esse hábito! Se tivéssemos o habito mais saudável de comprar com mais freqüência e em quantidades menores, estaríamos fazendo um favor para nosso bolso – evitando entrar no vermelho – e para o comércio – diminuindo a sazonalidade das vendas.

Além de comprar na hora certa, outro importante hábito a ser conquistado para manter as contas em dia é dar mais qualidade a nosso consumo. Pensar duas, três, quatro vezes antes de adquirir aquele item dos sonhos pode fazer bem. Que tal entrar em um leilão virtual e tentar vender aquela batedeira que você só usou uma vez? Será que não existem outros itens também pouco usados em sua casa? Em minha estatística pessoal, os aparatos campeões de ócio costumam ser cafeteiras, videogames, enciclopédias, livros (guardando para as traças?), kits para churrasco e as maravilhosas peças de decoração que ganhamos no casamento e que não couberam na cristaleira. Que tal se desfazer dos estoques e dar um fôlego no orçamento, ou então usar o recurso da venda para se presentear com uma viagem?

A regra básica para enriquecer é gastar menos do que se ganha e investir com qualidade a diferença. Perceba que a regra começa com o verbo gastar. Gaste, portanto, com mais qualidade, para poder gastar menos.

GUSTAVO CERBASI Especialista em Inteligência Financeira www.gustavocerbasi.com.br

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