Romântica e companheira

Alguns anos atrás quando perguntei o que mais as pessoas queriam na vida, elas responderam que queriam uma relação romântica e companheira. Desde que a ideia de romantismo foi instalada na nossa cultura, sonhamos com um grande amor. O que há de novo na resposta que obtive foi o desejo de uma relação que tenha componentes de companheirismo.

Colocamos toda nossa esperança na realização de um grande amor. E entendemos que ele é o meio para andar pelo mundo. Este mundo em transição de valores e crenças. Não queremos fazer essa viagem sozinhos, nem em grupo de amigos. Queremos fazê-la a dois. Quanto mais pesquisei, entendi que queremos trocar amor e afeto num ambiente que, no seu ideal, se apresenta como seguro: o ambiente íntimo do casal. Parece ser o ambiente perfeito para nos expor e nos proteger do mundo que consideramos vil.

Provavelmente no passado não muito distante, a família, especialmente a nuclear, era o espaço em que nosso sentido de segurança era estabelecido. Com o tempo e as mudanças na sociedade, tivemos necessidade de maior expansão e liberdade. A família se tornou um dos ambientes que restringe e pretende nos enquadrar num modelo que, de várias formas, não nos serve mais.

Nos sentimos diferentes entre aqueles que deveriam pensar e ser iguais a nós. Na procura pelo alento que traz sentir-nos adequados, buscamos núcleos sociais que se pareçam com a gente ou com aquilo que desejamos ser. Muitas vezes esses núcleos sociais também se apresentam rígidos e restritos nas suas formas e modo de ser. Foi assim que começamos a frequentar diversos grupos, alguns distantes entre si. Cada grupo foi nos trazendo algo, porém nenhum nos representava por completo.

Parece que o mundo que queremos ficou restrito a cada um de nós. Nossas conclusões são particulares, nosso raciocínio individual nos guia, acreditamos em nós, isoladamente.  Reconhecemos a influência do meio com seus modelos, mas a maioria de nós acha que o insight é individual. Só nosso. Cada vez mais nos sentimos autores – únicos e exclusivos – de nossas vidas.

É nesse ambiente imaginário de criação individual que escolhemos alguém que pareça conosco. Alguém que não nos confronte. Alguém que nos ajude a ser melhor naquilo que acreditamos como melhor. E com essa pessoa estabelecemos uma relação de parceria: parceira no amor.

Nessa relação que chamamos de romântica-companheira, criamos nosso mundo e nossa realidade. Conscientes de nosso poder criador dessa realidade, e inconscientes da interferência social que nossa criação sofre. Pensamos, o tempo inteiro, que estamos sendo diferentes da massa. Chamamos esse núcleo social de pessoas que buscam o amor romântico–companheiro como seu eixo de vida de Sociedade Par. Porque é a dois que eles decidem criar a nova realidade.

NANY BILATE Pensadora intuitiva, estuda e escreve sobre os valores e crenças sociais da contemporaneidade; fundadora da #behavior, uma Think Tank nany.bilate@behavior.com.br
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2 Comentario(s)

Ozeas da costa disse:

Está complicado manter essa rotina de romantismo sozinho,quando do outro lado não se vê isso mais e assim mesmo vamos levando o barco pra ver até onde ele vai,se chegar em um certo ponto ele não aguentar fazer o que deixar ele afundar?.
Alguém tem que se safar espero que continuemos salvos os dois claro beijos

Marcal Maria Goncalves Fontoura disse:

E uma agulha no palheiro, encontrar um amor, mas tudo na vida e possivel, tem que acreditar, eu acredito.

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